Juntamente com um grupo de amigos portugueses tive a oportunidade de conhecer ontem a discoteca Chilliout, na Ilha de Luanda: um lugar aprazível à beira mar em que a pista de dança termina próximo da areia e bem próximo às ondas do mar.
De freqüência heterogênea percebemos um grande número de estrangeiros (ou expatriados, como são chamados aqui), misturando-se ao povo local no ritmo dançante do Dg. Muita gente bonita! Perguntei-me onde se esconderiam estas pessoas no dia-a-dia.
Ao chegar na entrada da danceteria nos posicionamos no final da fila e fomos surpreendidos com o segurança nos chamando para entrar, não obstante todas as pessoas à nossa frente. Imaginei que meus colegas talvez tivessem um bilhete Vip, mas não era o caso. Percebi logo em seguida que a casa reserva o direito de admissão!
Não sei que critérios subjetivos ou econômicos são utilizados mas a verdade é que me senti um pouco constrangido até entender o que estava ocorrendo. Certamente não foram meus lindos olhos, nem tampouco minha aparência exuberante ...
O direito de admissão revela uma forte discriminação social, pois deixa à mercê de uns poucos a escolha de quem entra ou não, independente da casa estar cheia ou vazia. Pergunto-me se não seria menos ruim manter “apenas” a discriminação econômica; digo isto pois cobrar Kz 2.000 (cerca U$D 26) pelo ingresso já é uma forma de discriminar, pois aqui muitos sequer têm este valor para sua subsistência diária. Ouvi dizer que o salário mínimo local é de U$D 60!
“Reserva-se o direito de admissão”é uma maneira elegante de dizer “Nós somente aceitamos ricos e bonitos”, como não sou rico creio que fui categorizado como bonito que acrescento por conta própria “gostoso” (rs).
domingo, 7 de junho de 2009
quinta-feira, 4 de junho de 2009
“O Malefício”
No funeral de um burocrata corrupto desfilam figuras que expressam um prazer sádico pela sorte do moribundo, um enterro desprovido de dor. À medida que se lê as mensagens registradas no Livro de Condolências, percebe-se o elevado nível de corrupção de caráter que impregnou a vida do morto: “Que a terra lhe seja mesmo pesada” escreve um dos supostos explorados.
Estas cenas fazem parte do primeiro ato da peça “O malefício” que estreou hoje (04.06) no Centro Cultural Português. Dirigida por Fernandes Jose, os atores da Cia de Teatro Dadaísmo deram um show de performance e deixaram a platéia atenta durante todo o espetáculo. Baseada em dois contos de Roderick Nehone, renomado autor angolano, a peça retrata as angustias e dissabores a que somos expostos no dia-a-dia.
No segundo ato é encenado o conto “O Malefício”, que dá nome à peça, e então os atores superam-se nos diálogos fortes e profundos que Roderick Nehone nos põe a refletir, com uma sagacidade de roteiro impressionante, que tem como pano de fundo o diálogo entre dois cientistas sobre um vírus para eliminar a humanidade, isto é, "a maioria silenciosa, que apenas acorda, come, fornica e se multiplica; essa maioria silenciosa que não inventa nada, apenas consome, não decide, só cumpre, não cogita, contempla e tal como rebanho são conduzidos cegamente para o pasto ou para o cadafalso". Diálogos com argumentos como estes discutem os prós e contras deste maléfico vírus e tornam a peça agradavelmente deliciosa.
Luanda tem surpresas culturais interessantes!
Estas cenas fazem parte do primeiro ato da peça “O malefício” que estreou hoje (04.06) no Centro Cultural Português. Dirigida por Fernandes Jose, os atores da Cia de Teatro Dadaísmo deram um show de performance e deixaram a platéia atenta durante todo o espetáculo. Baseada em dois contos de Roderick Nehone, renomado autor angolano, a peça retrata as angustias e dissabores a que somos expostos no dia-a-dia.
No segundo ato é encenado o conto “O Malefício”, que dá nome à peça, e então os atores superam-se nos diálogos fortes e profundos que Roderick Nehone nos põe a refletir, com uma sagacidade de roteiro impressionante, que tem como pano de fundo o diálogo entre dois cientistas sobre um vírus para eliminar a humanidade, isto é, "a maioria silenciosa, que apenas acorda, come, fornica e se multiplica; essa maioria silenciosa que não inventa nada, apenas consome, não decide, só cumpre, não cogita, contempla e tal como rebanho são conduzidos cegamente para o pasto ou para o cadafalso". Diálogos com argumentos como estes discutem os prós e contras deste maléfico vírus e tornam a peça agradavelmente deliciosa.

Luanda tem surpresas culturais interessantes!
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