quinta-feira, 4 de junho de 2009

“O Malefício”

No funeral de um burocrata corrupto desfilam figuras que expressam um prazer sádico pela sorte do moribundo, um enterro desprovido de dor. À medida que se lê as mensagens registradas no Livro de Condolências, percebe-se o elevado nível de corrupção de caráter que impregnou a vida do morto: “Que a terra lhe seja mesmo pesada” escreve um dos supostos explorados.

Estas cenas fazem parte do primeiro ato da peça “O malefício” que estreou hoje (04.06) no Centro Cultural Português. Dirigida por Fernandes Jose, os atores da Cia de Teatro Dadaísmo deram um show de performance e deixaram a platéia atenta durante todo o espetáculo. Baseada em dois contos de Roderick Nehone, renomado autor angolano, a peça retrata as angustias e dissabores a que somos expostos no dia-a-dia.

No segundo ato é encenado o conto “O Malefício”, que dá nome à peça, e então os atores superam-se nos diálogos fortes e profundos que Roderick Nehone nos põe a refletir, com uma sagacidade de roteiro impressionante, que tem como pano de fundo o diálogo entre dois cientistas sobre um vírus para eliminar a humanidade, isto é, "a maioria silenciosa, que apenas acorda, come, fornica e se multiplica; essa maioria silenciosa que não inventa nada, apenas consome, não decide, só cumpre, não cogita, contempla e tal como rebanho são conduzidos cegamente para o pasto ou para o cadafalso". Diálogos com argumentos como estes discutem os prós e contras deste maléfico vírus e tornam a peça agradavelmente deliciosa.




Luanda tem surpresas culturais interessantes!

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